quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A MULHER NA IGREJA DE CORINTO E O USO DO VÉU

Corinto, principal cidade grega, ficava à beira-mar. Os seus dois portos eram muito importantes, haja vista o intenso comércio da cidade, cujas mercadorias fluíam desde a Itália, da Espanha, da Ásia Menor, da Fenícia e do Egito. Num local com dois portos a quantidade de marinheiros era muito grande e o de prostitutas também.
Com 12 templos, sendo um deles era dedicado a Afrodite – deusa do amor, cujos adoradores praticavam a prostituição religiosa e onde periodicamente centenas de prostitutas eram consagradas à deusa, faziam com que Corinto ficasse conhecida pela prática da prostituição sexual ("corintianizar"). Evidentemente essa grande cidade tornou-se o centro da imoralidade pública e irrefreada.
Foi nesta cidade que Paulo chegou (cerca de 52 dC) e ali fundou a Igreja. Três anos depois escreve uma carta que para nós ficou conhecida como a 1ª carta, na qual ele faz muitas recomendações quanto ao caráter, integridade, dignidade e amor cristãos. Especificamente, ele fala como deve ser o procedimento no culto ao Senhor, o qual deveria ser diferente dos cultos dedicados aos deuses daquela cidade (1Co 10.14-33).
Também faz recomendações quanto ao procedimento da mulher que deseja ter a vida consagrada a Cristo (1Co 11.1-16), o qual deveria ser diferente do das demais mulheres. A preocupação de Paulo era com as mulheres prostitutas e as adoradoras de Afrodite que se convertiam e precisavam ter mudança de vida radical pela transformação de hábitos e aparência visual. Entendo que as prostitutas eram reconhecidas pelo seu corte de cabelo, o que as diferenciava das mulheres "de família" (1Cor 11.5).
Desta forma, Paulo recomenda que todas as mulheres usassem véu para que na igreja não houvesse diferenciação de uma mulher em relação à outra recém-convertida (1Cor 11.15), nem acepção de pessoas, pois não se saberia quem era quem. A força do argumento de Paulo foi o véu porque era usado tradicionalmente pela mulher para demonstrar respeito, honra e submissão. "Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu” (1Co 11.6b). O véu é o "sinal de poderio (autoridade)" citado no verso 10. As mulheres "de família", "decentes", agora, por amor às novas convertidas, usariam com mais propriedade os seus próprios véus (1Co 13).
Ainda no desejo de manter uma decência e ordem no culto, a Igreja de Corinto, mais uma vez recebeu recomendação de Paulo que as mulheres deveriam estar caladas. Mulher não fala na igreja! Esta era a ordem. Se quiser falar para comentar ou aprender alguma coisa espere chegar a casa e procure a autoridade do lar. Vejo sabedoria nesta recomendação. Imaginem uma pessoa transitando pelas ruas de Corinto e passa em frente a um bordel. O que ele ouvirá? Gargalhadas, gritos de homens e mulheres envolvidos na luxúria. Em seguida, um pouco mais a frente, o transeunte passa em frente a um local onde as pessoas estão reunidas para cultuar ao Senhor e ouve mulheres falando em tom alto ao louvar ou ao profetizar, ou no interrogar. O que pensaria este transeunte? "Não há diferença. É tudo a mesma coisa...".
Numa igreja onde servi como pastor durante 10 anos, certa ocasião um traficante se converteu. Ele teve bastante dificuldade em ser aceito na igreja: os pais aconselhavam os filhos para que não ficassem perto dele; os homens sempre olhavam para ele de maneira desconfiada; as mulheres se afastavam. Em outra igreja, onde também estive por 10 anos, uma prostituta conhecida no local nos visitou e passou a frequentar os cultos. Pouquíssimos falavam com ela. Alguns até trocavam de lugar quando ela sentava nos bancos da igreja. Enfim, nem o traficante, nem a prostituta permaneceram nas igrejas.
Acredito que o mesmo ocorria em Corinto. Daí o fato do conselho de Paulo com relação ao procedimento, que deveria ser de mão dupla, ou seja, deveria haver uma mudança nos membros da igreja, tanto quanto nas novas convertidas. E essa transformação iniciada no coração deveria ser refletida também no exterior, até nos detalhes que aparentemente eram insignificantes. E isto era o mínimo que se esperava de ambas as partes: o uso de um véu sobre a cabeça. É o que Deus espera de cada um de nós hoje. Lemos em Êxodo 23.19; 34.26 e Deuteronômio 14.21: "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe". Aparentemente isto é uma coisa mínima. Como de fato é. Mas a questão maior é a submissão e a obediência.
A recomendação de Paulo foi específica para a igreja de Corinto. Não leremos mais em qualquer outra carta. Isto quer dizer então que hoje não vale para nós? Pensamento errado este. Aliás, satanás quer que pensemos assim, pois estaríamos desvalorizando as profecias e nos esvaziando das mensagens de Deus.
A mensagem para hoje é: aquele ou aquela que se converte necessita mudar o seu procedimento. E que o convertido mais antigo participe com o mais novo nessas mudanças. Ou seja, se uma pessoa se converte, agora mudará a sua vestimenta, o seu linguajar e os seus modos. Se antes tinha cabelos compridos, agora não terá mais.
Conheço a história do Zé Cachaça. Ele morava em certo bairro à beira-mar e era conhecido como “Zé Cachaça” porque bebia muito. Um dia foi embora para bem longe. Anos depois, ao retornar, todos o cumprimentavam dizendo “seja bem vindo Zé Cachaça”, mas ele respondia “não me chamem mais de Zé Cachaça, porque minha vida mudou; eu agora sou discípulo de Cristo; a partir de hoje me chamem de José de Jesus”.
O "vinde" de Jesus abrange a todos. Paulo sabia disto – nós sabemos também. E em Corinto esta mensagem deveria ser eficazmente aplicada.
HÁ NECESSIDADE DE FAZER DIFERENÇA NUMA SOCIEDADE INDIFERENTE!

3 comentários:

  1. O véu é o "sinal de poderio (autoridade)" citado no verso 10. As mulheres "de família", "decentes", agora, por amor às novas convertidas, usariam com mais propriedade os seus próprios véus (1Co 13). AO LER ESTE TRECHO, ME SENTI PROFUNDAMENTE TOCADA, CONFRONTADA. ENTENDI QUE NÃO É SOMENTE O COMPARTILHAR DO AMOR DE DEUS QUE DEMONSTRA NOSSA PAIXÃO PELAS ALMAS. MAS NEGAR A SI MESMO, COMO FEZ CRISTO, PARA QUE OS QUE CHEGAM PERMANEÇAM! É MINHA RESPONSABILIDADE QUE O NOVO CRENTE PERMANEÇA LÁ, DEPENDE DE MINHAS ATITUDES TAMBÉM, DA MINHA COMPREENSÃO DO QUE É SER SERVO...

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  2. Pr. Edmilson, querido pai:

    Suas reflexões são sempre preciosidades teológicas. São trinta anos de crescimento espiritual através de suas exposições bíblicas. Mantenha este serviço de utilidade cristã.
    Beijos, seu filho Alexandre.

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  3. Percebo que os cuidados de Paulo com a igreja de Cristo passa por sua experiência direta com a GRAÇA de Jesus. Sob esta perspectiva, não há como nos enchermos de orgulho e nos acharmos superiores aos ditos "Perdidos" ou "afastados", pois debaixo desta Graça, somos os mais pecadores, pois temos ciência dele. "Dos pecadores sou o maior". Continue abençoando vidas com a Palavra de Vida. Te amo! Seu primeiro pintinho...DEDA

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